Podia
dizer-se que era uma família comum, se comum era ter mesa cheia, casa quente,
aconchego, paz, momentos de sintonia que poucas palavras conseguem descrever.
Era
mais um final de tarde e estavam todos em casa, cada um nas suas coisas. As
luzes da árvore de Natal piscavam, num ritmo calmo e sereno.
Eles
estavam sentados nos velhos sofás, de frente para a lareira. Alguns com o
computador sobre as pernas, vários separadores abertos, em alternância, intervalando
o trabalho com as notícias do dia e os mails.
Sinais dos tempos.
Entretanto,
anoitecera e havia entre a sala e a cozinha uma indistinta amálgama de afazeres
rotineiros e de ociosa descontração. A única televisão da casa estava ligada,
quase sem som, como era habitual; alguns livros abertos, à espera, e folhas de
apontamentos espalhadas pelas mesas. As pantufas nos pés, alguns pijamas já
vestidos. Conversava-se pouco àquela hora, cada um no seu mundinho,
aparentemente desligados uns dos outros: “A Pantera Cor de Rosa” no youtube; um livro que se lia; o saltitar
entre o FB e a televisão; as idas à cozinha; alguém que punha lenha no lume.
Tinham
começado a cozinhar mais cedo, porque iam ter visitas e sentia-se já pela casa
um cheiro bom a assado no forno. Todos sabiam o que fazer: pôr a mesa, arranjar
o cesto do pão, ir buscar mais cadeiras, abrir o vinho para respirar, preparar
a tábua de queijos, temperar a salada. Eram tarefas básicas, centenas de vezes
repetidas ao longo dos tempos, primeiro pelos pais, agora por todos, quase sem
palavras, abrindo os mesmos armários e as mesmas gavetas de sempre. Era bom estar-se
assim, naquela calma familiaridade, naquele sossego de poucas palavras,
cumprindo rotinas, repetindo cenas já tantas vezes vividas…
Talvez
haja quem não entenda o que tem de especial um final de tarde assim. Possivelmente
era apenas a maneira como eles viviam alguns momentos da sua vida, como os
valorizavam, como se agarravam a essas memórias para esquecer algumas das
outras. Às vezes, eram apenas breves instantes, num mar de algumas tempestades.
E
parecia tão simples, afinal. Talvez aquilo: uma família, comida na mesa, uma
lareira a arder, um LAR.
Era
um dia qualquer, entre o Natal e o Ano Novo. Uma família comum, ou talvez não.
Célia Lima
Gostei deste texto porque nos remete, para a época do Natal e do Ano Novo que acabámos de passar; é bonito ler aquela parte em que a maior parte da família começou a ajudar-se fazendo as entradas, preparando o tabuleiro do queijo e o cesto do pão, logo aí consigo ver que a família se relaciona e se interajuda muito bem.
ResponderEliminarTomás Lopes 7c
Adorei o texto,faz lembrar o tempo da época de Natal e do Ano Novo em que todas as pessoas estão felizes.E Eu identifico-me nesses dias e costumo fazer algumas dessas coisas que a rotina do texto refere.
ResponderEliminarDuarte Fragoso 7D Nº5