terça-feira, 16 de abril de 2013

Primeiro Dia de Primavera


A net vaticinava bom tempo e a semana foi passando, mais animada do que era habitual, na expectativa de ver cumprida a promessa: no fim de semana iria haver sol!
O sábado chegou finalmente, cheio de uma luz bem-disposta, apropriada para ajudar a enxugar as almas tristonhas.
Como de costume, planearam coisas simples, coisas de família: ajeitar a casa, cortar a relva, ir beber café, fazer uma refeição calma em família … Ainda se falou na possibilidade de ir ao shopping, mas era melhor não, não convinha gastar dinheiro.
- Como hoje está bom tempo, que tal chamar o pessoal para um lanchinho? – sugeriu alguém.
- Boa ideia! – ouviu-se logo, em coro.
Fizeram-se uns telefonemas, mandaram-se recados e sms.
Finalmente, por volta das cinco, começaram a chegar os convidados. A tarde estava ótima, o ar exalava novos perfumes e, à medida que o dia ia avançando, tudo na natureza parecia mais vivo, mais cheio de cores e de sons.
- O que é que aconteceu? Temos festa? – perguntavam à medida que iam chegando.
- É para aproveitar melhor o primeiro dia de primavera!
Distribuíram-se cumprimentos, encetaram-se conversas descomprometidas, sinceras e informais. Depois, com naturalidade e sem pressas, os “comes e bebes” foram sendo ajeitados pelas mesas, na rua e dentro de casa, conforme a vontade e o apetite de cada um. Por cima de velhas toalhas coloridas e desbotadas, tremoços, pevides, queijos, pão, enchidos, bolachas e bolachinhas, carnes, vinhos, sumos, cervejas… tudo numa saudável mistura, à disposição de todos. Pratos, copos e talheres passavam de mão em mão, numa simplicidade antiga, descomprometida de formalismos e alheia a modernices e a regras de etiqueta supérfluas e cansativas. As cadeiras e os bancos diversos ajeitavam-se em semicírculos casuais, enquanto se ouviam as peripécias da semana ou se comentavam as brincadeiras das crianças.
E as crianças brincavam sem parar, correndo por entre as árvores, andando de bicicleta, levando e trazendo brinquedos, numa agitação própria de quem está feliz, de quem queria aproveitar cada minuto do dia e cada segundo que passava. Num afogadilho, passavam pelas mesas, agarravam à pressa algo para comer e saíam disparadas rumo a uma nova brincadeira.
Desprendida de cansativas convenções sociais, sem urbanidades extenuantes, sem falsas formalidades, a tarde ia passando e todos descansavam de mais uma semana, entre amigos, à-vontade, a aproveitar o bom tempo, a cultivar o que de melhor a vida oferece: saúde, família, amigos, sol.
Comeu-se e bebeu-se animadamente. Disseram-se tolices, repetiram-se velhas anedotas, recontaram-se histórias. Riu-se. Riu-se muito, como sempre. Também se tiveram conversas mais sérias, falou-se da crise, desabafaram-se contrariedades e repeliram-se medos e frustrações.
À medida que a tarde foi avançando, o sol despediu-se e foi-se também desfazendo a companhia, naturalmente, sem grandes despedidas, no ritmo simples, calmo e aconchegante de quem é praticamente da família.
Foi na primeira tarde de primavera. E já era abril! Acompanhados pelos amigos e pela família, celebraram o sol que chegara finalmente!


Célia Lima