terça-feira, 17 de abril de 2012

Dar tempo aos filhos


Nesta altura do ano, as escolas públicas interrompem as atividades letivas durante uns dias, e as famílias têm os filhos em casa durante aproximadamente duas semanas. Assim, por força das circunstâncias, a rotina familiar é temporariamente alterada.
Os miúdos não têm escola? E agora, o que fazer?
Há pais que aproveitam para tirar uns dias de férias de modo a poderem estar com os filhos; outros combinam com familiares ou vizinhos a quem entregam as crianças por uns dias; outros deixam-nos aos cuidados dos irmãos mais velhos. Estas e muitas outras soluções mais ou menos criativas (campos de férias, ocupação de tempos livres, miniférias em casa dos tios…) parecem perturbar de modo quase ofensivo a rotina de algumas famílias. Ouvem-se alguns pais lamentar o infortúnio de terem os filhos sem escola: “Não é justo”, “E agora, quem é que há-de tomar conta dos miúdos?”, “O Estado não tem responsabilidade nenhuma!”.
A mim, como mãe, surpreende-me que ter os filhos em casa por uns dias possa ser uma questão difícil de aceitar. Julgo até que há, nalguns casos, uma ligeira confusão entre os direitos e os deveres parentais e aquilo que é a verdadeira função da escola.
No meu entender, caso a escola não tivesse interrupções, os pais e os filhos estariam menos tempo juntos e isso não seria bom. De facto, de um modo aparentemente perturbador para alguns, estas paragens letivas acabam por contribuir para que pais, mãe, filhos, tios, tias, padrinhos e primos estejam mais tempo juntos, nem que seja para tomarem conta dos miúdos, que não têm escola. E Ainda bem que assim é!
Se as escolas estivessem abertas 12 meses por ano, isso significaria que todos nós estaríamos menos tempo com os filhos. Se as escolas abrissem ao sábado, quantos pais deixariam lá as crianças, se calhar até sem necessidade disso? Se as escolas tivessem dormitório, as crianças de mais longe dormiriam lá!
Parece-me pois lógico que organizemos antecipadamente as nossas vidas para conseguirmos estar com os filhos um pouquinho mais, nesta altura do ano.
 É que, pela Páscoa, já eles estão fartos da escola e anseiam ficar em casa uns dias, no mimo do lar, junto daqueles que lhes são mais queridos, junto da sua família.