Nesta
altura do ano, as escolas públicas interrompem as atividades letivas durante
uns dias, e as famílias têm os filhos em casa durante aproximadamente duas
semanas. Assim, por força das circunstâncias, a rotina familiar é temporariamente
alterada.
Os
miúdos não têm escola? E agora, o que fazer?
Há
pais que aproveitam para tirar uns dias de férias de modo a poderem estar com
os filhos; outros combinam com familiares ou vizinhos a quem entregam as
crianças por uns dias; outros deixam-nos aos cuidados dos irmãos mais velhos.
Estas e muitas outras soluções mais ou menos criativas (campos de férias,
ocupação de tempos livres, miniférias em casa dos tios…) parecem perturbar de
modo quase ofensivo a rotina de algumas famílias. Ouvem-se alguns pais lamentar
o infortúnio de terem os filhos sem escola: “Não é justo”, “E agora, quem é que
há-de tomar conta dos miúdos?”, “O Estado não tem responsabilidade nenhuma!”.
A
mim, como mãe, surpreende-me que ter os filhos em casa por uns dias possa ser uma
questão difícil de aceitar. Julgo até que há, nalguns casos, uma ligeira
confusão entre os direitos e os deveres parentais e aquilo que é a verdadeira
função da escola.
No
meu entender, caso a escola não tivesse interrupções, os pais e os filhos
estariam menos tempo juntos e isso não seria bom. De facto, de um modo
aparentemente perturbador para alguns, estas paragens letivas acabam por
contribuir para que pais, mãe, filhos, tios, tias, padrinhos e primos estejam
mais tempo juntos, nem que seja para tomarem conta dos miúdos, que não têm
escola. E Ainda bem que assim é!
Se
as escolas estivessem abertas 12 meses por ano, isso significaria que todos nós
estaríamos menos tempo com os filhos. Se as escolas abrissem ao sábado, quantos
pais deixariam lá as crianças, se calhar até sem necessidade disso? Se as
escolas tivessem dormitório, as crianças de mais longe dormiriam lá!
Parece-me
pois lógico que organizemos antecipadamente as nossas vidas para conseguirmos
estar com os filhos um pouquinho mais, nesta altura do ano.
É que, pela Páscoa, já eles estão fartos da
escola e anseiam ficar em casa uns dias, no mimo do lar, junto daqueles que
lhes são mais queridos, junto da sua família.
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