Julgo que todos conhecem a afamada sigla TPC, usada na
escola desde há muitas décadas para designar os trabalhos enviados pelos
professores para os alunos realizarem em casa. São os famosos Trabalhos Para Casa. Eternos aliados dos
professores na árdua tarefa de garantir que os alunos estudam e exercitam os
conteúdos necessários ao avanço das matérias? Inimigos irreconciliáveis da maioria dos jovens, que anseiam por
chegar a casa, jogar a mala num canto e só lhe pegarem no dia seguinte? Responsabilidade indesejada que
ensombra os finais de dia das famílias, forçando os pais a impor hábitos de
trabalho e de estudo aos filhos, num eterno braço-de-ferro que acaba muitas
vezes com o patriarca a ralhar, a mãe a lamentar e a criança a emburrar?
São muitas as opiniões e muitas as teorias a propósito
do envio de TPC.
Não obstante a existência das mais diversas opiniões,
quer por parte de professores, quer de alunos, quer de pais ou de especialistas
diversos, e independentemente da pertinência dos diferentes argumentos
apresentados - condicionados obviamente pelo diferente papel desempenhado pelos
vários agentes educativos envolvidos - a verdade é que os trabalhos de casa sempre
fizeram parte do dia-a-dia da maioria das famílias e são, no meu entender, uma modalidade
de apoio naturalmente intrínseca ao processo de ensino-aprendizagem,
consistindo numa clara mais-valia para que os alunos possam aprender mais e
melhor.
Na escola atual, é fundamental reforçar o número de
exercícios e de atividades, não só a serem trabalhados na aula, como também
fora dela. Por isso, os TPC configuram uma modalidade de apoio fundamental para
que os alunos estudem e exercitem as matérias (novas e antigas) lecionadas
durante as aulas, de modo a poderem mais eficazmente evoluir nas suas
aprendizagens, de modo a poderem reforçar e cimentar o conhecimento, a poderem garantir
o desenvolvimento eficaz e duradouro das competências específicas, algo que não
se consegue apenas no tempo de aula.
É evidente que os trabalhos de casa não devem nem
podem nunca ser o princípio responsável pela aprendizagem - julgo que, nesse
aspeto estamos todos de acordo - mas são, isso sim, uma estratégia auxiliar
para o estudo. Por isso mesmo, o seu envio deve ser devidamente orientado pelo
professor e, sempre que possível, supervisionado por um adulto, em casa ou na
escola - nas salas de estudo ou nos espaços de apoio - onde, num espírito de
entreajuda e de diálogo, os jovens estudantes podem desenvolver e cimentar
hábitos de trabalho, de organização e de estudo, ao mesmo tempo que vão ficando
mais autónomos.
Também é bem verdade que os alunos passam demasiado
tempo na escola e muito pouco tempo em família, decorrendo daí alguma saturação
e, ao mesmo tempo, o envolvimento muito reduzido dos pais na vida escolar dos
filhos. Será por isso que a maioria dos alunos não faz as tarefas escolares com
a seriedade e o empenho necessários? Não sei. Só sei que há demasiados TPC
copiados, demasiados alunos que não os fazem, demasiados pais a autorizarem os
filhos a não os fazerem, demasiados pais que não sabem ou não querem ajudar os
filhos, demasiados alunos que não aproveitam os apoios e as salas de estudo,
demasiados momentos em que, fruto do cansaço, da saturação ou da demissão, quem
ganha o jogo do braço-de-ferro é a preguiça, a inércia, a falta de seriedade e
de honestidade intelectual. É pena! Ainda assim, para mim, ex-aluna, professora e
mãe, a resposta é óbvia: o verdadeiro conhecimento vem na sequência do trabalho
e, no caso da escola, o conhecimento pode e deve ser reforçado e cimentado
pelos Trabalhos Para Casa, os tais indesejados TPC!
Célia Lima, dezembro de
2012