sábado, 25 de agosto de 2012

Receitas para lutar contra a falência emocional: rir é o melhor remédio

Nós, os Portugueses, somos um povo triste e, pelos vistos, doente! Cerca de dois milhões de portugueses precisam de medicação para dormir ou para se sentirem melhor. Temos ainda os alcoólicos e os toxicodependentes, entre outros. Ao todo, cerca de 30% dos Portugueses têm doenças do foro mental, relacionadas ou não com a forma negativa como encaram a vida e, consequentemente, com o stress. Tudo isto na sequência da nossa atitude negativa. Tudo isto porque, quando olhamos para o copo meio de água, a maioria de nós acha que ele está meio vazio, ao invés de achar que ele pode estar, claramente, meio cheio.
Já assim éramos e pior ficámos nos últimos tempos! Deixámo-nos arrebatar pela angústia e pelo sofrimento, que nos enrodilham numa espiral aferrolhada a um pessimismo crescente, inimigo da esperança, autêntico para-raios da falência emocional.
Racionalmente, sabemos que a nossa vida continua bastante boa a vários níveis: vivemos mais e melhor! A maioria de nós tem saúde, temos família, amigos, conforto… Mas tudo isto parece não chegar, sobretudo porque nos foi prometido muito mais, sobretudo porque, diariamente, somos empurrados para o consumo de informação excessiva e manipuladora de desejos e expectativas, somos manipulados no sentido de pretendermos sempre mais e de, muitas vezes, desejarmos aquilo que não temos.
Cada um de nós tem de conseguir libertar-se desta sofreguidão, deste desejo de querer sempre mais e desta frustração de, atualmente, ter cada vez menos. Caso não o façamos, corremos o risco de engrossar a fatia daqueles que são amarrados à tal espiral de sofrimento e pessimismo.
Contrariamente ao que alguns dizem, sabemos que não está nas nossas mãos reverter o estado do nosso país, resta-nos pois concentrar-nos naquilo que depende quase exclusivamente de nós: reverter o nosso estado emocional e, consequentemente, tentar criar uma espécie de resistência que nos proteja de toda esta catadupa de derrotismo e desânimo galopantes, que parecem corroer os alicerces da nossa sociedade.
Aquilo que vos sugiro não é uma receita milagrosa, não consiste numa descoberta de alquimia. É antes o fruto da investigação (ainda que pouco exaustiva), confirmada sobretudo pelo saber de experiência feito.
Todos os grandes filósofos dizem o mesmo: se queres ser feliz, sê ignorante! Desliga a televisão, durante os noticiários e não arrisques ler as gordas dos jornais ou ouvir as sínteses noticiosas na rádio. Limita-te a pensar nas pequenas coisas da vida – o sol que nasce todos os dias, a pureza das crianças, a beleza do mar, o sossego da noite - e sobretudo ri muito, ou pelo menos sorri e, de vez em quando, solta uma gargalhada!
Os estudos não enganam e os benefícios não param de ser estudados e relatados: rir é o melhor remédio. Rir previne doenças, aproxima-nos dos outros, estimula o cérebro, rejuvenesce e é libertador.
Lembro-me de que, quando era pequena, pedia ao meu irmão que me fizesse rir. Ele começava a fazer palhaçadas e eu, daí a pouco, ria sem parar, mesmo que não tivesse grande piada. Lembro-me muitas vezes disso. Apesar do meu ar sério, que ainda mantenho, de facto aquilo que eu queria era rir, rir sempre, ainda que muitas vezes me fosse difícil sorrir.
Quem me dera rir mais. Em todo o caso, recomendo, em grandes quantidades!

agosto de 2012-07-19
Célia Lima