Nós, os Portugueses, somos um
povo triste e, pelos vistos, doente! Cerca de dois milhões de portugueses precisam de medicação
para dormir ou para se sentirem melhor. Temos ainda os alcoólicos e os
toxicodependentes, entre outros. Ao todo, cerca de 30% dos Portugueses têm
doenças do foro mental, relacionadas ou não com a forma negativa como encaram a
vida e, consequentemente, com o stress.
Tudo isto na sequência da nossa atitude negativa. Tudo isto porque, quando
olhamos para o copo meio de água, a maioria de nós acha que ele está meio
vazio, ao invés de achar que ele pode estar, claramente, meio cheio.
Já assim éramos e pior ficámos nos últimos
tempos! Deixámo-nos arrebatar pela angústia e pelo sofrimento, que nos
enrodilham numa espiral aferrolhada a um pessimismo crescente, inimigo da
esperança, autêntico para-raios da falência emocional.
Racionalmente, sabemos que a nossa vida continua bastante
boa a vários níveis: vivemos mais e melhor! A maioria de nós tem saúde, temos
família, amigos, conforto… Mas tudo isto parece não chegar, sobretudo porque
nos foi prometido muito mais, sobretudo porque, diariamente, somos empurrados
para o consumo de informação excessiva e manipuladora de desejos e expectativas,
somos manipulados no sentido de pretendermos sempre mais e de, muitas vezes, desejarmos
aquilo que não temos.
Cada um de nós tem de conseguir libertar-se desta
sofreguidão, deste desejo de querer sempre mais e desta frustração de,
atualmente, ter cada vez menos. Caso não o façamos, corremos o risco de
engrossar a fatia daqueles que são amarrados à tal espiral de sofrimento e
pessimismo.
Contrariamente ao que alguns dizem, sabemos que não
está nas nossas mãos reverter o estado do nosso país, resta-nos pois
concentrar-nos naquilo que depende quase exclusivamente de nós: reverter o
nosso estado emocional e, consequentemente, tentar criar uma espécie de resistência
que nos proteja de toda esta catadupa de derrotismo e desânimo galopantes, que
parecem corroer os alicerces da nossa sociedade.
Aquilo que vos sugiro não é uma receita
milagrosa, não consiste numa descoberta de alquimia. É antes o fruto da
investigação (ainda que pouco exaustiva), confirmada sobretudo pelo saber de
experiência feito.
Todos os grandes filósofos dizem o mesmo: se
queres ser feliz, sê ignorante! Desliga a televisão, durante os noticiários e
não arrisques ler as gordas dos jornais ou ouvir as sínteses noticiosas na
rádio. Limita-te a pensar nas pequenas coisas da vida – o sol que nasce todos
os dias, a pureza das crianças, a beleza do mar, o sossego da noite - e
sobretudo ri muito, ou pelo menos sorri e, de vez em quando, solta uma
gargalhada!
Os estudos não enganam e os benefícios não param de ser estudados e
relatados: rir é o melhor remédio. Rir previne
doenças, aproxima-nos dos outros, estimula o cérebro, rejuvenesce
e é libertador.
Lembro-me de que, quando era
pequena, pedia ao meu irmão que me fizesse rir. Ele começava a fazer palhaçadas
e eu, daí a pouco, ria sem parar, mesmo que não tivesse grande piada. Lembro-me
muitas vezes disso. Apesar do meu ar sério, que ainda mantenho, de facto aquilo
que eu queria era rir, rir sempre, ainda que muitas vezes me fosse difícil
sorrir.
Quem me dera rir mais. Em todo o caso, recomendo, em grandes quantidades!
agosto de 2012-07-19
Célia Lima