domingo, 9 de dezembro de 2012

Momentos


Era dia de festa,
E a roupa era nova, feita a propósito.

Dois rostos fixos na máquina,
com desejos vãos de eternizar o momento:
Retalho de festa, uma felicidade emprestada,
por vezes, roubada…
Respiram a alegria que pairava no ar
e embalam ânsias muito ternas… embalando…
E a festa lá fora: celebrar!

Retrato simples e puro de outrora!
Crianças, ainda, desejosas, curiosas…
Tão doces e serenas apenas!
Olhares meigos - tão ansiosos - bem me lembro!
Tudo à flor da pele!
E boiando à deriva, dois valentes marinheiros do improviso…

Quem diria, vendo a fotografia?

Surpreendidos por violentas tempestades,
Testemunhas de todas as marés,
Dois náufragos…
Mas sempre suportando:
SO-BRE-VI-VER!
   Tão puros, tão doces ainda!
Depois, num espaçar de carinhos oprimidos, estremecem…
E, pouco depois, ventos indesejados…
E a tempestade outra vez!
E mais uma, e mais outra vez…

Mas aquele era um dia de festa!
Com roupa nova, feita de propósito!

E as duas crianças - decididas, corajosas -
Treinando pequenos sorrisos, pequeninos!
   Eram tão pequenos ainda!
Lembranças de uma festa que não era sua,
E os ventos oprimidos, reprimidos, ansiosos…

Contudo, era dia de festa!
Roupa nova, feita a propósito.
Pose treinada, olhos fixos na máquina: Clic
Momentos!

Procurar a mota da Nancy


Natal de 2012
Procurar a mota da Nancy fez parte da agenda do fim de semana e foi tal a aventura que teve direito a uma pequena brincadeira.

A mota e a boneca

Uma menina queria uma boneca,
Queria uma boneca com uma mota!

“Uma boneca com uma mota?”
Pergunta a mãe, num tom espantado.

“Uma mota com uma boneca!”
Exclama o pai, todo admirado.

“Sim, sim, uma boneca e a sua mota!
Depois, eu ponho a boneca em cima da mota
E vamos as duas numa grande aventura!”

E lá foram elas!
Brrrummm…
Sempre em viagem, pela estrada fora,
Mil aventuras a qualquer a hora!
Brrruumm, brrruummm…

Depois, já cansadas, regressam a casa…
“Como correu a vossa viagem?”, pergunta a mãe, toda atenciosa.
“Já voltaste da vadiagem?”, interroga o pai, com voz curiosa.

“Visitei aldeias, vilas e cidades,
Conheci gente de todas as idades!
Vivi aventuras maravilhosas,
Eram tantas coisas: todas espantosas!”

Mais tarde, ao deitar, cansada e contente,
A menina deu beijinhos a toda a gente!

E foi nesse momento, sob o luar,
que ouviu a boneca e a mota, de novo, a abalar:
Brrruuuummmm!

Célia e Tita, 09/12/12

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Momentos de criatividade da Tita

Um Natal bem passado

Era uma vez uma família que festejava sempre o dia de Natal.
Era uma família muito pobre, mas que vivia muito feliz. Tinham chocolates, faziam a comida com os alimentos da horta e bebiam água.
Na noite de Natal, fizeram a árvore de Natal, enfeitaram a lareira e decoraram a casa toda. Era uma casa muito pequenina!
Nessa noite aconteceu algo muito estranho. A casa começou a tremer, a tremer cada vez mais…
- O que será? - perguntou a mãe.
- Passa-se alguma coisa…- disse o pai.
- Se calhar é o Pai Natal! – exclamou o menino.
- Olha que se calhar tens razão! – disse o pai, com um ar curioso.
Entretanto, o pai, a mãe e o filho começaram a ouvir um barulho que parecia vir da chaminé.
A mãe exclamou:
- Olha, o som vem da nossa chaminé!
O menino disse assim:
- Não é um foguetão de certeza! Tenho mesmo a certeza que é o Pai Natal! Hum, vamos cá ver…
O menino aproximou-se da chaminé para ir espreitar. Depois, disse com ar aflito:
- Papá, é mesmo o Pai Natal e está preso na chaminé. Será que consegues tirá-lo de lá? Por favor, diz que sim.
José, o tal menino, estava muito aflito! Ele pedira uma prenda ao Pai Natal e estava preocupado com ele. Tinha receio que ele não conseguisse sair dali. Queria muito ajudar o Pai Natal.
Então, o pai do José, com a ajuda do seu filho, pegou na escada e subiu ao telhado. Depois, o filho e o pai puxaram o Pai Natal e conseguiram tirá-lo da chaminé. Finalmente, o Pai Natal estava livre.
O Pai Natal disse:
- Obrigado por me salvarem! Vocês os três merecem uma prenda! Eu queria descer pela vossa chaminé mas estou muito gordo…e não fui capaz. Não teria conseguido sem a vossa ajuda. Agradeço imenso. Estou tão cansado! Posso dormir cá esta noite?
- Claro que sim. – exclamou o pai.
Na manhã seguinte, o menino reparou que o Pai Natal tinha acordado muito cedo. Chegou à sala e viu o Pai Natal, que já estava pronto para partir. Quando se despediu, convidou-os para irem dormir ao Polo Norte.
O pai do José respondeu:
- Claro que sim, com muito prazer!
Foi assim que o José e os seus pais, a Maria e o Miguel, foram para o Polo Norte. O José gostou tanto que ficou lá a viver para sempre com os seus pais.
FIM

05/12/12 Matilde Lima

Mini Biografia


Este texto acabou de me ser ditado pela minha filha Matilde de cinco anos e meio. Para além do sentimento de orgulho por ter confirmado mais uma vez que a minha filha é uma criança feliz, quero destacar que se tratou de um momento mágico, de grande cumplicidade. :)
Passo a transcrever:
"Eu, eu… gosto que me acarinhem.
Eu gosto de ir à escola. Gosto de brincar e de aprender.
Sou corajosa, tenho muitos amigos e brinco com eles.
Também gosto de estar com os meus pais.
Eu estou fazendo um texto. Continuando: estou no sofá.
Tenho duas manas que estão em Coimbra. De vez em quando, vamos visitá-las. Às vezes, até dormimos lá. Outras vezes, só vamos lá levá-las. Elas vivem em Coimbra e são muito amigas. A Mafalda está na Universidade e tem que estudar, e a Mariana, como é muito ligada à Mafalda, quis ir para uma escola de lá.  A minha mãe tem muitas saudades das minhas irmãs mais velhas, da Mafalda e da Mariana.
Eu ando em duas atividades: uma é a dança; outra é a piscina. Há colegas da minha escola que também vão à piscina.
Tenho uns pais que me adoram! Gosto de estar no quentinho com os meus pais, à noite, na sala.
O meu pai costuma ver sempre televisão. Gosta de ver futebol e todos os desportos. Também gosta de programas de bolos e de comida, porque ele é muito guloso.
Eu, quando acabo de jantar, venho para a sala.
Tenho uma casa que eu adoro!
Daqui a bocado, vou para a cama. É às nove e meia. Primeiro, bebo o leite. A seguir, lavo muito bem os dentes. No fim, gosto de ouvir uma história. Durmo com o meu peluche. É um dia cada pai a contar a história! Histórias giras: uma são pequenas, outras são grandes. Fico um bocadinho acordada. Adormeço passados uns minutos. O meu peluche, às vezes, cai da cama abaixo! Quando me caem dentes, ponho-os debaixo da almofada. E, depois, o pai ou a mãe, normalmente deve ser a mãe, deixam lá uma moeda.
Isto vai ser muito giro! Quero que todos saibam que eu vivo nesta casa e que passo por muitas aventuras na minha escola, como as visitas de estudo e assim… como ir ao jardim zoológico…
Tenho cinco anos! Estou quase a fazer seis.
Adoro os meus amigos. Brinco muito com eles! Saltitamos pelo parque, brincamos sem parar, andamos no escorrega e no balancé, muito contentes!
Tenho uma professora e uma auxiliar. A professora chama-se São, e a auxiliar é a Cristina. Fazemos jogos e muitos trabalhos. Quando alguém não sabe fazer um jogo, nós, as mais velhas (a Anastácia e eu), vamos ajudar. Gostamos de ajudar os colegas! Havia um jogo que nós ainda não tínhamos feito… e agora fizemo-lo! A minha sala tem uma casinha das bonecas, garagem, jogos de chão e muitos outros jogos divertidos. Tem muitos bonecos e tem muitos livros.
Adeus. Até um dia."

Estas foram as palavras da Tita.
Espero que sirvam de inspiração a muitos pais: dar tempo aos filhos é fundamental para percebermos como sermos pais pode ser a tarefa mais fantástica do mundo.
(Matilde Lima e Célia Lima)