Se perguntarmos à maioria dos jovens o que querem da vida, reconhecemos rapidamente vários grupos: os que não sabem; os que não querem saber; os que sabem, mas não querem partilhar com outros o seu projecto de vida, pressentindo que falar disso os impeça de mudar de ideias; e ainda os que declaram, sem grandes hesitações: “Eu quero ISTO!”.
Como professora e como mãe, sei que todos ambicionamos grandes coisas para nós e para os nossos. Muitas vezes, desejamo-lo com tanta força que nos parece impossível que elas não se concretizem. Depois, ficamos tristes, achamos que a vida é nossa madrasta, zangamo-nos mesmo a sério porque nada parece estar do nosso lado e não temos sorte nenhuma!
E é realmente curioso ver como somos todos diferentes nesses momentos de adversidade. Já me aconteceu analisar - em mim e nos outros - o momento em que hesitamos entre a cobardia e a coragem, entre dar um passo para a frente ou dar um passo para trás.
E também aí é possível identificar reacções díspares: há quem desista dos sonhos e “emburre” eternamente, culpando tudo e todos das circunstâncias ou da conjuntura; há quem arranje um plano B e opte por novos objectivos menos ambiciosos, mas igualmente estimulantes; e há também quem persista nos mesmos planos, “lamba” as feridas rapidamente e lute empenhadamente por aquilo que deseja.
Eu cá, quando ouço falar de azar, normalmente começo por acalmar a onda de irritação que surge dentro de mim e lembro-me de algumas frases cujo significado aprendi a respeitar ao longo da vida. “A SORTE DÁ MUITO TRABALHO” é uma dessas frases.
Sobre o azar, tento lembrar-me que falar dele dá azar e que, muitas vezes, não passa de uma boa desculpa. Por isso, evito dar-lhe confiança.
Quanto aos sonhos e objectivos de vida de todos nós, em especial dos nossos jovens, julgo que o melhor conselho será: lutem para concretizar os vossos projectos, sem ficar à espera da “sorte” ou a lamentar o “azar”. Lembrem-se que grande parte da receita está nas vossas mãos: cumprir as obrigações escolares, com responsabilidade, seriedade e brio. Pelo meio, aprendam muitas outras coisas: envolvam-se nas tarefas de casa e da família; arranjem um part-time; aprendam uma profissão… Em suma, construam um projecto de vida, conscientes dos vossos direitos, mas sobretudo dos vossos DEVERES.
Todos os caminhos diferentes deste não são sérios. E todos os jovens e pais que acreditam que os seus sonhos e projectos se concretizam sem trabalho são irresponsáveis.
Célia Lima
Setembro de 2011