Em pequena, ouvia as
minhas avós contarem que “pariram” os filhos agarradas à trave da lareira e
ficava a olhar para elas, incrédula e assustada. Era impossível! Como é que
alguém se podia submeter a um tal esforço? De pé, agarradas à trave da lareira?!
Quando engravidei da
minha primeira filha, dediquei algum tempo a pensar (e até a sonhar!) com o
parto. Imaginava-o de mil maneiras, normalmente cheia de medo, confesso, mas
sempre com o aconchego mental de que já não vivia no tempo das minhas avós.
Sabia que iria ter a minha bebé com o máximo de assistência médica possível, reduzindo
assim - imaginava eu - a probabilidade de sofrimento a que poderia estar
sujeita em termos físicos.
O tempo foi passando,
e eu evitava pensar muito no assunto, embora por dentro estivesse em pânico,
“morta de medo”, sentindo muitas vezes que o meu corpo não seria capaz de dar
passagem ao bebé, de o deixar nascer naturalmente.
Foi mais ou menos
isso que aconteceu, de facto. Confirmei que era uma “má parideira” e que sozinha
nunca colocaria nenhum filho no mundo, com ou sem trave de lareira, com ou sem
a ajuda e a coragem transmitidas pelas mulheres antigas. Agradeci aos deuses
ser destes tempos, ter hospitais, médicos, enfermeiras, anestesistas… Até
agradeci à bruta da enfermeira que me apertou a barriga com toda a força. Sem
ela, a minha filha não teria nascido. Sem toda a parafernália da saúde moderna,
eu teria morrido, provavelmente caída sob a trave da lareira, depois de gritos
surdos e prantos inúteis.
É pois meu propósito
confessar publicamente a minha total e inquestionável incompetência como
parturiente! Assumo-o diante de todos. E arranjo testemunhas variadas que o
confirmam, para vergonha minha. Apesar disso, submeti-me três vezes à mesma
experiência, cada vez mais traumatizada, cada vez mais dececionada com o meu
desempenho na hora de ajudar as minhas filhas a nascerem. Mas nasceram, com
muita ajuda, é certo, mas nasceram.
Passada a experiência
de cada um dos partos – cada um mais traumático do que o anterior, diga-se em
abono da verdade – era contudo automática a perceção de que tinha sido mais uma
vez abençoada, verdadeiramente abençoada. Entrava no hospital sozinha, mas
regressava a casa com mais um ser, mais uma filha, que se gerara no meu ventre,
nele se tinha formado e dele saíra para o mundo. Sentia sempre o mesmo: nascia
um novo ser, fruto do amor de duas pessoas, fonte de esperança, símbolo de
felicidade!
Percebi em cada um
desses dias o que significava “dar à luz”, senti-o com todos os músculos do meu
corpo, em todos os poros do meu ser, senti-o na carne rasgada, que deixava logo
de doer, como que por magia.
Estava sempre feliz,
imensamente feliz. Sentia-me responsável, útil, importante. Era como se, a
partir daquele momento, tudo no mundo tivesse mudado!
Ser mãe foi - e
continua a ser ainda hoje - a experiência mais enriquecedora que me foi
permitido ter na vida.
Célia Lima, Março de
2013
Ai esta um bom exemplo para as mulheres gravidas se algumas lessem este texto de certeza que iam ficar muito mais aliviadas, pois nos dias que correm todo o cuidado é pouco.
ResponderEliminardo seu aluno david
Concordo plenamente,pois nunca tinha pensado nisso dessa maneira.Talvez por ser um rapaz, não sei. Se fosse uma mulher também teria medo certamente, mas nada que não se ultrapasse. Do seu aluno Bernardo 7º A
ResponderEliminarPor ser rapariga também tenho medo disso, mas com este texto faz me acreditar que quando engravidar o parto não seja muito difícil. Nós raparigas não podemos ser pessimistas em relação a isso, temos de acreditar que quando engravidarmos o parto seja não muito difícil.
ResponderEliminarCatarina Silva nº7 7ºA
Professora com o seu texto fiquem mais encorajada a ter filhos porque na minha mente isso era difícil mas com o que você disse já me sinto menos assustada
ResponderEliminarCarolina Bento Oliveira N°2 7°E