quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Dois mil e treze


Começou mais um ano novo e, como sempre, despedimo-nos do anterior, repetindo rotinas anuais numa das semanas mais belas do ano, a semana do Natal.
Na verdade tudo costuma começar uns dias antes do dia de Natal e julgo que algo peculiar acontece com todos nós, de modo mais ou menos consciente. Há um certo momento, um momento especial, em que uma espécie de onda de amor e de amizade emerge de entre todas as nossas emoções, criando uma predisposição para nos focarmos naqueles que são realmente importantes para nós: a nossa família e os nossos amigos.
Depois, consoante a nossa disponibilidade, concentramo-nos nos nossos papéis de filho, neto, pai, mãe, sogro, sogra, tio, padrinho, afilhado, cunhado, amigo… e abraçamos mais uma vez as tradições natalícias, desligamos do resto do mundo e dedicamos tempo e atenção a todos aqueles a quem estamos unidos por laços indeléveis.
Cumprimos quase tudo a preceito: preparamos a casa, enchemos a despensa, pomos (ou não) aventais e deitamos mãos à obra. À hora certa, regamos abundantemente o bacalhau com azeite, deleitamo-nos com os doces natalícios, voltamos à carga com o peru recheado e mais tarde com a tradicional “roupa velha”. Acompanhamos tudo com um bom vinho, uma boa fogueira e muitas gargalhadas. À nossa volta, o riso puro e inocente das crianças completa o quadro. É a festa da família e não há melhor prenda possível do que dedicar-lhe tempo e atenção.
Passados uns dias, o fim de ano obriga a um novo festim.
Na companhia de amigos ou de familiares, tentamos despedir-nos do ano velho e entrar no ano novo num clima de alegria, otimismo e boa disposição. A mesa mais uma vez está cheia, bem regada, e o ambiente, com muita música, impede a chegada do sono. Às 00h00, certinhas, tentamos agarrar o momento, perceber que já cá estamos, em 2013! Mais um ano novo, mais uma oportunidade, mais uma dádiva de vida, mais um milagre!
Passada a euforia momentânea, surge, pé ante pé, a velha sensação, já experimentada em anos anteriores, a impressão de afinal ser tudo o mesmo: mais um momento, um minuto, uma hora, várias… e um novo dia que, segundo o calendário, é já afinal num novo ano. Mais tarde, lentamente, começamos a inserir neste novo ano as velhas rotinas de sempre e esperamos que pouco mude, a não ser que seja para melhor.
Dois mil e treze já cá está, com algumas desconfianças, vários medos, muitas expectativas, mas sobretudo com o enorme desejo de que a viagem que agora se inicia nos encaminhe para um bom porto de abrigo, onde a esperança volte a fazer parte das nossas vidas e onde as histórias que imaginamos para os nossos filhos possam ter finais felizes.

 

Célia Lima, janeiro de 2013

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