Antigamente: quadro, ardósia, caderno, livro e lápis! Depois, copiar e decorar. Quem aprendia, aprendia; quem não aprendia, ficava ao fundo da sala, eternamente no mesmo ano, com ou sem orelhas de burro, com ou sem uma dose de reguadas diária. No Inverno, o frio gelado; no Natal, a missa do galo e, com alguma sorte, uma barrigada de filhós e de rabanadas. Era mesmo assim, confirma a minha mãe.
Agora: manuais escolares e respectivos cadernos de actividades, calculadora gráfica, material de escrita e de desenho, dicionários… dúzias e dúzias de materiais e equipamentos, um autêntico escritório de executivo!... E claro, um computador pessoal, vulgo, PC, com ligação à internet. Um pesadelo de despesas para os pais que, num esforço sobre-humano, acedem a todas as exigências das criancinhas, temendo perturbar o seu aproveitamento, caso insistam na aquisição dos cadernos mais baratos ou na partilha do computador de família por todos os elementos da casa. Depois, é esperar pelo sucesso, que nem sempre vem na hora desejada, ou na proporção do investimento económico realizado.
Em Dezembro, os professores queixam-se da inércia dos alunos e os pais, já em ânsias, ripostam com o cansaço dos filhos que, consequentemente, chegam ao Natal “emburrados” e mais exigentes. O PC não basta, o investimento em equipamento adicional tem de continuar: Wii ou PSP, IPod e IPad, TMV topo de gama, entre outros, fazem parte de uma enorme lista de Natal. Em princípio, a criancinha vai ficar mais motivada… Se calhar, vai começar a estudar mais. Esperemos bem que sim!
Nunca houve tanta fartura, dizia o meu avô! E é bem verdade, pensamos nós, embora não o digamos, com medo de dar azar. Quanto à crise: “haja saúde e coza o forno”!
Célia Lima, in Rodilha, 01/2011
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