Lembro-me que, quando entrei pela primeira vez na escola, me senti dominada por dois sentimentos: o receio e o encanto. Passo a explicar: sentia-me receosa, pois a professora teimava em ensinar muitas coisas (a ler, a escrever e a fazer contas!) e eu achava que a minha cabeça não ia conseguir guardar tanta informação; por outro lado, estava encantada com o facto de haver um sítio onde eu ia só para aprender coisas novas - a ESCOLA - a minha escola!
Mais tarde, não foi sem espanto que percebi que por trás de cada coisa nova que aprendia havia milhares de outras coisas novas e fantásticas, o que justificava – aparentemente - o facto de termos que andar tantos anos na escola.
Independentemente de tudo, a verdade é que gostava da escola: gostava de aprender e, sobretudo, sentia-me com muita sorte por PODER APRENDER. Saía de casa cedinho, de mala às costas, a limpar os restos de remela mal lavada e a trincar meia carcaça fresquinha, deixada pelo padeiro que passava na rua. Ao fim do dia, quando chegava a casa, gostando mais ou menos desta matéria ou daquele professor, sabia que tinha muita sorte por poder ANDAR NA ESCOLA. Sabia que era ali que podia APRENDER e que havia pessoas cuja principal função era ENSINAR!
O tempo foi passando, fui fazendo as minhas opções, construindo o meu projecto de vida, consciente de que, nesse caminho, a escola poderia ser a minha maior aliada. E assim foi. Tive a sorte de ter pais e professores que me explicaram que tudo o que aprendesse faria parte de mim e me ajudaria a formar como pessoa, não só em termos profissionais mais também em termos pessoais e familiares. Sei que a pessoa que sou hoje é diferente daquela que seria se não tivesse aproveitado todos os ensinamentos que a escola me deu, todos mesmo, até aqueles que julgava não me fazerem falta.
“Aprende que para ti será”; “Olha que o saber não ocupa lugar!”: não me lembro quem foi que me disse isto pela primeira vez. Ouvi-o vezes sem conta e já o disse outras tantas. Digo-o aos meus alunos e às minhas filhas. Acredito na ESCOLA e na missão dos PROFESSORES! Sinto-me feliz por ter a missão de ENSINAR e acredito que é uma sorte podermos dedicar uma parte da nossa vida a APRENDER. Sinto-me feliz por poder dizê-lo assim, publicamente, e tenho a sorte de o poder provar todos os dias na minha vida!
Célia Lima
in Rodliha, 07/2010
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