Nos
últimos tempos, falar da escola não é falar de estabilidade. Como sabem, os
meios de comunicação não param de nos bombardear com notícias sobre mudanças
legislativas e orientações diversas que obrigam as escolas e quem lá trabalha a
pôr em prática medidas que parecem ter sido pensadas com objetivos claramente
economicistas, apesar de aparecerem sempre fundamentadas como sendo medidas
educativas sérias e inovadoras.
Turmas
maiores, menos disciplinas, menos professores são algumas das alterações a
implementar agora, e os argumentos que se apresentam para fundamentar a
implementação das mesmas são, ironicamente, quase os mesmos que se apresentavam
quando se defendiam as turmas mais pequenas, um maior número de disciplinas ou
a existência de um corpo docente maior e mais especializado: critérios de natureza
organizativa e pedagógica, com a garantia da manutenção da qualidade de ensino.
E tudo isto é dito, obviamente, com o ar mais sério do mundo.
Como
sabem, Setembro é o mês em que o ano escolar se inicia. Para pais, professores
e alunos é um mês marcado por uma rotina específica, ainda que diferente para
cada um dos grupos: comprar livros e material escolar; fazer planificações e
reuniões diversas; conhecer novos professores e colegas, são alguns dos muitos
afazeres que calham a todos, ao mesmo tempo que nos despedimos de mais um
Verão.
Ao
longo dos últimos dezoito anos, passadas as férias, Setembro era o mês pelo
qual costumava ansiar, com um entusiasmo e uma energia quase juvenis, acrescidos
de uma vontade incondicional de cumprir os desígnios determinados superiormente.
Agora, infelizmente para mim (e para muitos), as coisas mudaram.
Tenho
a sorte de fazer aquilo de que gosto, é certo: ensinar é a minha vocação! Mas
tirando esse enorme prazer de poder contribuir para o desenvolvimento integral
daqueles jovens, parte do resto parece-me ter ficado demasiado instável, como
areias movediças, e a verdade é que a falta de chão firme a mim causa-me, de
vez em vez, uma espécie de inquietude.
Tudo
isto para dizer que, nos últimos anos, me passei a sentir menos tranquila, em
termos profissionais. Ser professor não é devidamente respeitado nem
valorizado, quer pelo sistema, quer pela sociedade. Julgo até haver quem pense
que os professores não fazem falta ou que são descartáveis (se assim não fosse
não se atreviam a usurpar direitos adquiridos e até – cúmulo dos cúmulos - a
dispensar professores que já trabalham há vinte ou mais anos!).
Setembro
é o mês que me espera. Já tenho algumas saudades dos meus alunos, dos meus
colegas e da escola, mas o meu coração diz-me coisas que, infelizmente, não me
permitem serenar.
Célia Lima, Setembro de 2012
Tens razão,a sensação do regresso cada vez é mais estranha!
ResponderEliminarTentam convercer-nos de umas receitas, depois de outras... E às que propomos e sabemos serem boas (porque nós é que estamos cá, graças a Deus, pois outros já não podem dizer o mesmo!), não lhes dão qualquer valor.
É como aquela ideia, de há não muitos anos, de reformar as pessoas todas, aos 40, aos 50, etc... e agora só aos 65, e é se for... E os mais novos à procura de emprego, colecionam cursos, estágios, mestrados e não conseguem vislumbrar a luz nos horizontes mais próximos. É uma pena! Será que só temos gerado gente com pouca capacidade e de honestidade duvidosa? A ver pelos casos que vão surgindo... Lamento! Lamento bastante que as gerações que tentamos "despertar" vejam o seu futuro comprometido desta maneira. Tudo se resume a números... Infelizmente são os do desemprego, da fome, do desespero... MC