Castanheiro, 01 de Julho
de 2012
Ilustres leitores,
Agora que tenho a possibilidade
de poder escrever tudo (ou quase tudo) o que me passa pela cabeça, decidi
aproveitar para “puxar a brasa à minha sardinha” e defender uma tese na qual
acredito a 100% e que, por isso, aqui defendo publicamente: Ser mulher, hoje, é
um privilégio!
É isso mesmo. Como mulher, afirmo
o óbvio: SER MULHER, HOJE, É UM ENORME PRIVILÉGIO.
Caso haja dúvidas, perguntem a
todas as “velhotas” (e a algumas menos “velhotas” também).
Contar-vos-ão, entre “ais” e
“uis”, como era ser mulher há vinte, trinta ou quarenta anos… Dir-vos-ão, entre
lágrimas e assoadelas de nariz, como era ter que pedir uns tostões ao marido
para poder comprar sardinha ou um metro de tecido para fazer um avental novo.
Falar-vos-ão de submissão e de eterno servilismo; lembrarão os maus modos e os
gestos bruscos, amassados, muito raramente, com algumas migalhas de afeto.
A verdade é que já vão longe os
tempos em que as mulheres se sentiam na obrigação de obedecer ao marido e em
que, mais ou menos submissas e discretas, fingiam ser desprovidas de inteligência,
limitando-se a manifestar a sua opinião apenas nos momentos em que esta estava
em concordância com a do ilustre consorte, ou então fingindo anuir, ainda que
as indicações e orientações masculinas não fizessem qualquer sentido e
deixassem muito a desejar à sensatez.
Longe vão os tempos em que a
mulher tinha que pedir autorização ao marido para poder trabalhar fora de casa
e em que, discretamente, tentava ser omnipresente em toda e qualquer
circunstância doméstica ou familiar, calculando sempre, de modo quase
premonitório, os desejos do seu cônjuge, desde os mais caprichosos - a urgência
dos chinelos, à chegada, ou do copo de vinho - aos mais ou menos pertinentes
para a época - a refeição feita a tempo e horas.
Atualmente, tudo mudou.
As mulheres não sentem qualquer
obrigação de obedecer. Pior do que isso, acostumaram-se a dizer “não” (com
elegância e delicadeza, claro!) e isso deixou os homens completamente rendidos
ao charme irresistível das mulheres. As mulheres de agora, sobretudo as de
meia-idade, têm vidas repletas de conquistas pessoais, e, regra geral, são
dotadas de grande carisma, amadurecendo cheias de uma beleza que vem de dentro
(o espelho acabou de mo confirmar!).
Agora, as mulheres ostentam a sua
inteligência, sem se darem ao trabalho de simular falaciosas humildades ou
falsas submissões relativamente a todo e qualquer som que escape
intencionalmente da boca dos seus maridos. Mais do que isso, agora elas não
precisam de marido!
Caros leitores, é por tudo isto que
ser mulher hoje é muito melhor do que há vinte ou trinta anos! Qualquer mulher
de meia-idade, como eu, sabe que assim é. E julgo que qualquer homem hoje gosta
muito mais das mulheres assim: emancipadas, independentes, com opinião,
corajosas, desafiadoras.
Ser mulher hoje é um privilégio,
uma honra, um desafio e uma conquista constantes.
Não se esqueçam disso, mulheres.
Respeitem isso, homens!
Assim me despeço.
Humildes cumprimentos,
Célia Lima
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